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Toda a vida é Yoga

Aurobindo, um moderno e ilustre mestre de yoga certa vez disse: “Toda vida é Yoga!”

A primeira vez que fui a Índia, eu era somente um garoto, perdido em busca de respostas as quais estavam além da minha compreensão naquele momento. Com a mochila nas costas parti com um caderno de anotações e um guia comprado no aeroporto antes de embarcar, os quais eu perdi no primeiro banco em que me sentei.

Aurobindo, um moderno e ilustre mestre de yoga certa vez disse: “Toda vida é Yoga!” Uma frase curta que eu demorei a assimilar em minha mente e tenho a impressão de que ainda não a desbravei em sua totalidade e as vezes a esqueço.

Entre um trem e outro, observando pelo vidro sujo da janela as planícies e a vida dura das pessoas no campo, não mais difícil talvez das que deixei pra trás nos subúrbios que visitei em Agra, refletia com saudades de casa a minha proposta ali; aprender yoga, compreender o sentido da existência, obter conhecimento, encontrar um guru, deslumbrar o belo e perceber a felicidade interna descrita por tantos mestres em seus livros de linguagem óbvia mas nem sempre de simples aplicação.

Peregrinando pelas cidades por onde Buda passou e escreveu sua história, não me foi oferecido apenas beleza, paz, felicidade ou o estado de comunhão com o Interno, o que podemos definir como yoga. Num primeiro momento eu senti raiva, dor, fúria, indignação, tristeza, desolação diante das inúmeras desigualdades, dos inúmeros trapaceiros, das incontáveis dificuldades com comerciantes e falsos amigos.

Chegando aos jardins em Bodhgaya, sentei-me. Ali reinava paz e pude meditar. Não havia miséria, não havia assédio comercial, apenas pássaros, árvores, monges, um lago com a estátua de Buda ao centro, reinava o silêncio e o belo, um cenário acolhedor e propício para refletir as dores e os sorrisos da vida. Olhos fechados eu meditei e tentei imaginar a dura caminhada de Gautama e nas vezes que ele pensou em desistir.

Logo ao abrir os olhos eu vi uma senhora caminhando por entre as figueiras, vindo na direção da árvore a minha frente. Ela trazia com ela uma menina, ambas eram muito magras, os braços pareciam pequenos gravetos frágeis, prontos para se partirem. O sári sujo e os pés descalços, o rosto com sulcos fundos, assim como os pés e o resto da pele que se via. O cabelo da menina era esvoaçado com lindos olhos grandes e negros. Num primeiro momento preparei algum dinheiro e uma parte de meu almoço para dar a elas, pois imaginava que esta era a intenção delas ali, pedir esmola ou algo qualquer.

Porém, as duas pararam abaixo da árvore que estava uns dez metros à minha frente, colocaram suas garrafas plásticas de água no chão junto com o saco de ráfia que carregavam às costas, ajoelharam-se e iniciaram suas prostrações em agradecimento ao Buda. Agradeciam a vida ou aquele dia, não sei. Apenas sei que naquele instante, vislumbrando o yoga onde eu não pensava procurar, com o olhar embaçado por lágrimas, lembrei-me de casa. Das dificuldades com certeza muito menores que tive, da mãe que por vezes não soube agradecer e das dores que, por mais terríveis que possam ter sido, me ofereceram a oportunidade de lapidar e melhorar o “Eu” que habita dentro deste corpo físico.

A mulher com a criança que eu imaginava poder ajudar, em seu simples exemplo, mudou toda uma percepção em mim, por mais insignificante gesto que possa ter parecido. Toda vida é Yoga e a cada momento outras pessoas nos trazem a possibilidade de descobrir isso, de desenvolver sabedoria e autoconhecimento, seja nos oferecendo um ato agradável e belo ou uma dificuldade que nos trará dor e abrirá feridas por onde a luz tocará nossa alma.

ॐ Diego Carlos Marquete

Iniciou seu interesse pela terapia manual durante o transcurso da faculdade de Fisioterapia se dedicando inicialmente ao estudo terapia manual oriental, tendo viajado a Índia, Tailândia e Indonésia para aprimoramentos.
 
É shiatsuterapeuta com formação master em shiatsu, estudou Yoga Massagem Ayurveda no Brasil e Índia, formação em Spa pela Bali Bisa School. Participou de retiros vipassana em mosteiro budista na Tailândia e possui duas formações como instrutor de Yoga realizadas no Brasil. 
 
Formação Internacional em Alongamento Neural e em terapia manual Conceito Maitland. Formação de professor de thai yoga pela International Training Massage -ITM- de Chiang Mai, Tailândia

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