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Yogaçcittavrttinirodha || 2 ||

Yoga é  a diminuição voluntária das modificações da mente.

    Este sutra sintetiza a filosofia espiritual que funda o yoga. A primeira questão a ser evidenciada é o yoga e a meditação serem sinônimos: não existe yoga sem meditar e vice-versa. Mas por quê diminuir as volições da mente? Pois o yoga acredita que todo o sofrimento humano decorra da ignorância (avidya) advinda de uma mente nebulosa que não permite enxergarmos com clareza a essência perfeita, imutável e perene que vive em nós.

    Ao contrário dos católicos, para os yogis, não nascemos pecadores mas perfeitos. Enquanto os primeiros percebem o sofrimento advindo do pecado original e depositam sua fé em um outro mundo, os segundos compreendem o sofrimento através de condutas impensadas e depositam sua esperança de Bem-Aventurança neste mundo. Este sutra, dessa forma, reclama para si que ser yogi é alcançar o cessar do “turbilhão” dos nossos pensamentos (quase sempre inconscientes) para, enfim, vislumbrarmos que a vida boa consiste em findar a Ignorância. Para o yoga há quatro comportamentos nefastos e filhos da Ignorância de nossa real natureza. São eles, o apego, a aversão, o medo da morte e orgulho ou falsa identidade de nós mesmos, os denominados klesas.

 

    Em suma, sofremos por sermos ignorantes. A ignorância de nossa essência nos conduz a comportamentos nefastos, e estes aumentam a agitação deletéria da mente, nos tornando mais incapazes de condutas corretas, nos enclausurando em um ciclo infinito de sofrimento, denominado de roda de samsara. As práticas rituais do yoga visam por fim a samsara, pois diminuindo as volições da mente no caminho óctuplo do yoga (valores morais a serem cumpridos, posturas e respiratórios corretos, o desenvolvimento de um estado menos reativo ao mundo sensorial externo, a meditação propriamente dita e a percepção mística de Deus manifestada em nós) faz nascer em cada praticante desta filosofia espiritual uma convicção de uma espécie de harmonia divina que o permite vislumbrar a sua alma perene e imaculada, aonde o sofrimento não encontra terreno fértil de se manifestar.

ॐ Roberto Simões

Mestre, Doutor e Pos-doc em Ciência da Religião pela Pucsp.

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