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Lavar louça pode fazer bem

para sua mente!

Há grandes chances do momento de lavar a louça não ser sua parte favorita do dia. Você se aproxima da pia com o coração apertado pensando como seria bom se tivesse uma lava louça.

Ok, você não tem. Então, parte para a ativação do modo “vamos acabar logo com isso!” e tenta terminar a pilha do jantar no menor tempo possível, já sofrendo antecipadamente por saber que deixou aquela panela engordurada por último. E por ser uma atividade que não requer grandes doses de concentração para realizá-la, claro que tudo bem se você pensar nas coisas que tem para fazer, no filme que vai entrar em cartaz na próxima semana ou na ligação do gerente do banco hoje de manhã. Afinal, lavar uma louça parece tão irrelevante que geralmente colocamos no modo automático enquanto checamos, lembramos, planejamos e resolvemos mentalmente algumas coisas – o que parece bem mais útil.

Quando você aprende a fazer as coisas automaticamente pode ser de enorme utilidade. Mas você já reparou quantas coisas do seu dia você faz desse jeito? Andar, comer, tomar banho, dirigir e escovar os dentes são só alguns exemplos. Quando esse modo automático assume o comando significa que você não está presente na sua experiência, ou seja, você está vivendo na cabeça, perdido em pensamentos, ao invés de estar engajado com a vida real e com tudo o que o momento presente tem para te oferecer.

Isso não acontece só com você. Todos nós somos campeões em viver com a mente viajando. Na era da humanidade ocupada, estamos sempre fazendo uma coisa e já com a cabeça em outra. O problema é que, desta maneira, não estamos otimizando o tempo como parece, mas sim desperdiçando nossa vida.

A descrição do ato de lavar louça acima é nossa maneira habitual, mas não é desse jeito que ele pode nos trazer algum benefício. Você não leu errado o título da matéria. Sim, a atividade simples, rotineira (e não muito querida) de lavar a louça pode fazer bem para sua mente! Para isso, em vez de ensaboar o prato pensando que “essa louça não acaba nunca” ou “espero que a reunião de hoje renda bons resultados para a empresa”, nós precisamos trazer uma atenção plena para este momento de lavar a louça.

Essa atenção plena – também conhecida como Mindfulness – é estar totalmente presente no aqui agora, consciente do que está acontecendo neste momento presente e com uma atitude de bondade e gentileza com você, não com críticas ou julgamentos.

Você pode pensar “Prestar atenção enquanto eu lavo louça? Que diferença isso vai fazer?” Entendo, realmente parece que não faz muito sentido. Mas só parece. A maioria das práticas de Mindfulness (Atenção Plena) são durante atividades simples do nosso dia-a-dia. A prática da atenção plena não é para relaxar. A questão é ficar consciente do que está acontecendo para você agora na realidade com o mundo real e não na cabeça.

Por isso, mindfulness é um despertar para nossas vidas, para a riqueza de cada momento. Onde quer que você esteja e seja lá o que você estiver fazendo, esteja lá por inteiro. No momento em que sua atenção se volta para o agora, você percebe uma presença, uma serenidade e uma paz.


Nós amamos pensar, mas há algo lindo e saudável em acalmar nossa mente. Quando colocamos nossa máquina de pensar no modo da consciência, damos um cuidado e um descanso (super merecido) para ela. Pode haver vezes em que você está viajando sobre algo divertido e animador e quando você volta para sua experiência presente pode não ser tão gostosa como estava na cabeça. Mas a questão é que essa é a realidade, é o espaço que temos para começar a cultivar compaixão, sabedoria e felicidade.

Como Jon Kabat Zinn – um dos grandes nomes na área de Mindfulness – disse, nós estamos vivendo em uma era muito especial em que meditação e ciência caminham juntas. Os benefícios da prática da atenção plena são validados cientificamente em universidades do mundo todo. Portanto, ainda que pareça um pouquinho difícil no começo, lembre-se de que as recompensas são reais.

Você pode praticar atenção plena em qualquer atividade do seu dia, mas escolhi a louça por justamente ser uma atividade que parece pedir para nossa cabeça decolar. Vamos tentar?


Tudo o que você precisa fazer é ficar totalmente no momento presente, trazendo uma consciência para a situação, para o ambiente e a sua experiência. Não caia na armadilha de fazer com pressa para terminar logo ou pensando nas coisas que você podia estar fazendo que seriam muito mais divertidas ou produtivas. Nosso sofrimento começa quando resistimos ao momento presente. Nossa paz começa quando o aceitamos.

Durante essa prática, quando sua mente decolar (e ela irá!), gentilmente volte sua atenção para os sentidos: visão (olhe para a louça; note a quantidade e o quanto estão sujas, note como o detergente cai na bucha), tato (a temperatura da água, por exemplo), olfato (cheiro do detergente), audição (barulho da água saindo da torneira). E no final, veja como você transformou um prato engordurado e sujo em uma louça limpa e brilhante. Admire seu trabalho!


Quando você nota que sua mente está agitada, não se critique com algo do tipo “não consigo fazer isso, é muito difícil!”. A intenção não é esvaziar sua mente, mas observá-la. Ainda que tenha escolhido ficar com uma atenção plena, é fato que sua mente começará a viajar. A prática é justamente quando você percebe isso e faz a escolha de ficar presente.


Sendo assim, toda vez que você notar que foi para algum lugar que não é a louça, em vez de se repreender, celebre porque significa que você já consegue observar sua mente e, neste momento, não está identificado com ela.

Na próxima vez, aproveite essa atividade rotineira para trazer mais presença para sua vida e compartilhe sua experiência com a gente!

ॐ Marjorie Carvalho

Psicóloga  pela UNIFESP. Especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da USP.

Formada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da HCFMUSP e formada em Tanatologia pela Rede Nacional de Tanatologia.

Apaixonada por Mindfulness, estudou na Irlanda (The Mindfulness Centre e Irish Mindfulness Institute) e também em retiros na Tailândia.

Conheça o trabalho da Marjorie!

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